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Manu e seu dia



Relato do Parto

Minha procura em Belém do Pará por um parto humanizado aconteceu antes de meu 1º filho nascer. E durante a gestação do segundo, reencontrei Thayssa na Net. Com a chegada dela em Belém “uma luz no fim do túnel” apareceu.

Após meses enfim surgiu o Ishtar Belém e a esperança de ter meu VBAC aumentou. A presença da Andrea era maravilhosa e me passava uma calma enorme. O trabalho de formiguinha crescia a cada dia no grupo, e a cada nova pessoa que entrava, via a chance de formar uma equipe totalmente voltada ao parto humanizado na Mangueirosa.

Enfim meu dia chegou, ou melhor, dias ... e noites...

Relembro de pouca coisa do parto, acho que fui para outro mundo...

As dores começaram no domingo e não deram trégua. 10 em 10, 5/5, 3/3, 2/2 minutos. Não consegui dormir, as dores eram fortes e intensas e o medão bateu. Engraçado, fiz cursos, li e reli, escutei atentamente todos os relatos de partos, porém na “minha hora” fiquei apavorada. Me senti só na escuridão do quarto e resolvi descer as escadas de casa e no escritório fiz a cartinha para o meu bebê.

Segunda de manhã fui fazer ultrassom. A médica disse que eram pródomos. Ai meu Deus pensei eu, porque pródomos, eu quero um trabalho de parto ativo e já! Thayssa veio e começou a brincadeira. Andamos, subimos e descemos escadas, lava-pés, chazinho de canela e... parou tudo. Brecou, aff... A tarde, depois de Thayssa ter ido embora, os tais de pródomos voltaram, irregulares e dolorosos. Não consegui dormir novamente.

Terça-feira, dores intensas e consegui que a enfermeira viesse em casa me avaliar, até então minha médica não sabia de nada (RS). Ela disse que o estava alto, e eu não tinha nada de dilatação, nada de apagamento. Arrasada. Thayssa me disse que as contrações estavam razoáveis bem espaçadas, me aconselhei descanso pois ainda não era TP. Me mostrou os emails da Pata sobre pródomos. A tarde tudo continuou e o meu marido me pediu calma, mas como calma eu sou uma eterna agonia. E a Thay e a enfermeira ficaram de retornar as 18h para reavaliar. A enfermeira me ligou e me aconselhou a ser avaliada pela médica, já que estava ha 2 dias em pródromos.

As 18:30 Dra. Marilene me avaliou e fez o toque, 3cm, desceu um pouco de tampão e me disse que eu estava em TP ativo e eu dei pulos de alegria, coração acelerou e o sorrisão meu e do marido. Liguei para Thay e avisei que conforme orientação médica fui para casa jantar, pegar as coisas e me internar.

Em casa dei um beijo no filhote, chorei peguei meus bagulhos e fui com fé. 

 Entrei no quarto da maternidade com toda a felicidade do mundo. A doula e o marido subiram com um bando de tralhas. Thayssa contando: “- Legal a cara do porteiro: "pra que a bola senhora?" eu respondi: "pra parturiente", sem mais detalhes e entramos no hospital..”.

Minha mãe chegou e deu um apoio enorme, ficou presente me dando força em todos os momentos, me ajudando a ir ao banheiro, fazendo carinho durante as contrações, me dando água para beber a toda hora, acalentando meu choro...enfim só a presença dela ali foi tudo para mim.

 

Thayssa preparou o arsenal de Doula e comecei a tomar o chá de canela. Thayssa me botou para caminhar no corredor da maternidade e as enfermeiras todas olhando e estranhando. A Dra. ficou de passar em casa, tomar um banho e voltar pra avaliar.

Nesse meio tempo chegou a bacia e fizemos escaldapés com o óleo estimulante da Aninha. Foi maravilhoso e relaxante.

No meu notebook a Thay colocou o CD da Kalinne (ela disse que é hino de partos!) e apagou a luz do quarto, colocram a TV no mudo só pra iluminar e ficamos nos concentrando. E nessa hora chegou minha mãe que foi elogiada por minha doula.

           Fiz os exercícios da Fadynha, conforme a orientação, bola, caminhada, chá de canela, acupressão, respiração, banho morno e concentração até que a Dra aparece umas 23h e disse: -Nossa que chique

Ai que horror, toque novamente: bebê esta bem, mas alto e colo sem modificações desde as 19h. Nessa hora eu fiquei totalmente arrasada. Eu esperava ter dilatado um pouco mais.

Minha doula muito delicadamente me consolou.

Na tentativa de dormir aparam a luz, tentei deitar e as dores foram aumentando. Manu deita na cama e começa a noite animada. Deitada elas eram mais intensas então Thay me orientou ir para a bola. Meu marido e Thayssa marcavam as contrações. E a madrugada foi assim. E eu tive uma crise, as 02:30h aproximadamente eu vi surtei mesmo, chorei, gritei que queria dormir, que não aguentava mais, falei que a gravidez só tinha me trazido sofrimento (nessa hora lembrei da cirurgia de retirada da vesícula que fiz com 5 meses de gestação). E todos os três tentaram me acalmar. Mas nessas horas a gente não escutada nada e nem me recordo do que falaram exatamente.

Meu marido tentou me passar confiança mas no pico da dor eu queria era que parasse tudo aquilo, porém após o ápice tudo voltou ao normal. A massagem que a Thayssa me fazia nas costas aliviavam muito as dores e era que ajudava a respirar corretamente. Uma das frases que mais me recordo da doula era para que relaxasse os ombros e focar na respiração (para oxigenar o bebê).

Outra crise, a mais braba de todas, as 04:30h, soluçava chorando e disse aos prantos que não aguentava mais. Doula me perguntou se eu queria que ligasse para médica e pedisse nova avaliação para ver se já podia tomar analgesia. E eu não queria mais não suportava tamanha dor. Heraldo ligou e umas 5:30 a dra chega. Ausculta ótima. Novo toque. Bebê baixou pra plano -1 de De Lee, colo fininho, porém apenas 4 de dilatação, apagamento estava completo.

Dra. falou que não tinha nenhuma indicação de cesárea, que estava indo super bem, e perguntou se eu ainda aguentava mais umas 3h e eu disse que infelizmente não e chorei para dentro. Então, a médica sugeriu a seguinte estratégia: ir pro bloco, furar a bolsa e colocar ocitocina. Se ficasse muito punk, o anestesista já estaria lá para fazer analgesia. Daí eu entrei tipo em transe, sei lá, passou um flash back em minha cabeça e disso em diante lembro da Thay me convidar para ir jogar água quente no banheiro, já  no chuveiro a Thay conversa comigo, porém não recordo o assunto e assim ficamos lá no banheiro horas... Eram 07:00h da manhã!

Enfermeira chegou e aplicou o enema. Depois tomei banho e chegou a maca para me levar ao bloco cirúrgico. Thay ainda me consolou quando foi obrigada a me “abandonar” para eu subir ao bloco (é proibida a entrada de doula, infelizmente). E ainda sim lutou para que eu levasse meus óculos para enxergar meu filho, o que foi proibido pela direção do lugar.

Eu estava exausta. Quatro noites sem dormir!

Me colocaram em uma sala e aplicaram a ocitocina e a Dra. e rompeu a bolsa. Eu urrava de dor, como Thay  mencionou quando preocupada ligou para o celular do Heraldo. Eu nunca senti tanta dor em minha vida. Chorei compulsivamente e implorava para quem aparecesse que me dessem analgesia. Então Dra. fez o toque e eu estava com 8 cm.

As 8:00h, aproximadamente, me aplicaram a analgesia. Foi um alivio imediato. Fiquei tão feliz! E daí começaram as manobras para o Cauã descer... Dr. Arivaldo Meireles chegou para fazer a coleta do sangue do cordão umbilical. E também me ajudou a fazer força e me dando força para descer meu bebê. Felicidade total: - Tá aparecendo os cabelinhos do bebê!!! No canal de parto estava meu filho lutando para sair. Me senti plena. E o pior de tudo aconteceu: o bebê ficou occipto, devido ao trabalho de parto longo, muito tempo sem dilatação, a cabeça demorou para encaixar. E assim após dilatação total, por indicação medica, foi feita a cesárea. Fiquei mal, entrei de novo “em transe”. Meu marido levou um susto, como assim cesárea agora? Eu to vendo o meu filho!

Então Cauã Kenji nasceu, as 09:04h do dia 09/07/2008, com 51 cm e 3,580 kg. E com a cabeça de cone. Perfeito!

Meu tão sonhado VBAC não rolou e só agora consegui fazer o relato do parto. Ainda não superei , porém após 4 meses consigo conviver melhor  com isso.

Agradeço imensamente ao meu grupo: Ishtar Belém!



Escrito por Escrito por Manu às 11h43
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